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Criança dá adeus a cadeira de rodas e máscara de oxigênio após cirurgia inédita na Bahia

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Após anos na ventilação mecânica, carregando um cilindro de oxigênio e usando uma cadeira de rodas para se locomover, ele, como sua mãe mesmo diz, nasceu de novo. E ralar o joelho pela primeira vez foi só uma de suas conquistas.


A vida do garoto mudou totalmente graças a cirurgia que ele fez em junho, o primeiro implante de marca-passo diafragmático quadripolar realizado na Bahia, e que garantiu que Vinícius desse adeus para a cadeira de rodas.

“Ficar sem a ventilação, sem a cadeira de rodas, sem o cilindro é muito bom, mas muito bom mesmo. Eu me sinto mais livre sem aquela ventilação me atrapalhando, eu consigo andar agora, consigo jogar bola, é bom demais. Às vezes eu consigo correr pra pegar a bola e aí é gol”, descreve o menino, que mora com a mãe e o irmão de 23 anos no Cabula VI, em Salvador.

Patrícia cursa Farmácia e vive quase exclusivamente para ser mãe. Ela conta que o filho passou a usar a cadeira de rodas porque, quando andava, ele ficava sem ar. Sem contar que o cilindro de oxigênio com a mangueira que eram itens muito pesados para levar toda vez que ele fosse sair com a família.



A cirurgia
Vinícius já consegue andar sem a necessidade da cadeira,
mas ainda precisa de apoio por conta da fragilidade da pernas
(foto: acervo pessoal)



No Brasil, existe o registro de menos de dez cirurgias do tipo e Salvador agora faz parte desse universo. O procedimento foi realizado pela cirurgiã torácica Maíra Kalil, comandando uma equipe com profissionais locais, da Finlândia e de São Paulo.

“Me mobilizou porque era uma criança que já tinha limitações em relação ao movimento, que não podia caminhar por conta da necessidade de estar o tempo todo conectada ao ventilador”, conta Maíra. A cirurgiã explica que o procedimento tem indicação muito específica. “Ela é feita em pacientes que são dependentes da ventilação mecânica, mas por doenças que não são pulmonares. São pacientes que têm uma síndrome de tipo ventilação central, é como se ele esquecesse de respirar”, diz.

A cirurgia é feita através de vídeo, uma videotoracoscopia, em que os médicos identificam o nervo frênico, que se origina no pescoço e passa entre o pulmão e o coração para alcançar o diafragma, que é o responsável pela respiração, e implanta o marca-passo quadripolar em quatro pontos do nervo.

O marca-passo diafragmático, diferentemente do marca-passo cardíaco, que fica todo dentro da pele, fica uma parte na área externa do paciente, como se ele carregasse um aparelhinho de rádio do lado de fora.

A médica também relembra com carinho do momento que a equipe ativou o marca-passo de Vinícius. “Todo mundo começou a chorar quando ele percebeu que estava conseguindo respirar, que ele não estava ficando roxo, mesmo sem a máscara e o cilindro de oxigênio. Ele ainda terá limitações, mas a qualidade de vida dessa criança é outra e o rosto já mudou”, finaliza Maíra.

Quem quiser ajudar a custear as medicações ainda necessárias para Vinícius pode contribuir por meio de uma vaquinha virtual.

*Com orientação da subchefe de reportagem Monique Lôbo

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