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O choro não escutado; por Jonatielen Silva

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Escritora do Blog Vida em Palavras
Por Jonatielen Silva

A historiografia nos possibilita compreender e assistir histórias que não vivemos. Contamos seus enredos como se tivéssemos na frente das batalhas, sentimos a dor de cada derrota definida nas trincheiras, falamos dos seus mortos como se fossem componentes dos nossos lares, erguemos as bandeiras, não pedimos permissão para lutarmos, abraçamos a causa e por inúmeras vezes morremos sobre perspectiva errônea.

Em 1914 iniciava-se a Primeira Guerra Mundial, os motivos para esse marco da humanidade pareciam óbvios para serem contestados: o Imperialismo, a disputa por colônias na África e na Ásia, o nacionalismo com o Revanchismo francês caracterizado pela derrota na Guerra Franco-Prussiana entre 1870-1871.

A corrida para o armamento parecia a solução, e como consequência abriu as portas para o Nazismo. Batizaram com sangue a bandeira ocidental, foram mortos 10 milhões de jovens que não tinham começado a viver; carnificina e dor simbolizaram a resolução de problemas. A Segunda Guerra Mundial pormenorizou melhor o holocausto, onde cerca de 70 a 85 milhões de pessoas pereceram, estimando 3% da população mundial do ano de 1940.

Campo de Concentração Nazista

Diante da ignorância humana contemplamos a ironia do existir, romantizar, citar alguns aspectos sobre o perfil do maior genocida culpado de tanta dor é impossível, transmitiria a cronografia escrita em um pequeno diário encontrado; lá estava as palavras de uma filha separada de seu pai, suas frustações, esperanças de poder viver novamente, respirar fora dos campos de concentração, porém os seus dias foram poucos demais para ver os fechamentos das câmaras de gás, seus olhos não alcançaram os exércitos alemãs se entregando, foi negada a oportunidade de lhe dar seu último abraço em seu pai. Que peso tem a bandeira que tem defendido? Quantos dos seus você terá que deixar para trás em seu nome? Valerá à pena? Quais são as estratégias usadas para obter o conquistado? Acuados em frente a estratificação social apresentada sobre a narrativa histórica que nos revela o pior da espécie. A Revolução Industrial, a classe trabalhadora buscando seus interesses trabalhísticos, mulheres estadunidenses morrendo carbonizadas em busca de igualdade. Todos esses relatos tiveram o movimento social como arma para se pronunciar, alguns com muitos sangue, outros no silêncio de uma dor gritada dentro de um diário.

Hoje, 02 de agosto de 2021, são 
556.886 mortos por COVID-19. Mães, pais, irmãos, avós e tios que não estão dormindo em suas casas agora.

Os movimentos sociais são garantidos por lei, presente na Constituição Federal no artigo 3º. É livre toda manifestação de viver, inúmeras pessoas sofreram através das mãos de pessoas que não souberam lidar com uma intervenção tão útil. Os movimentos sociais existem com a finalidade de garantia de direitos e não há espaço para a negligência na nossa constituição.

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